A globalização globalização ao mesmo tempo em que viabiliza um processo de modernização econômica nos países, produz uma desigualdade de condições quanto o acesso aos bens de consumo e serviços, resultando numa exclusão social contrastante com os princípios de cidadania e participação democrática, defendidos por estes mesmos países.
Entendemos a globalização como um processo histórico único decorrente da própria expansão dos ganhos comerciais, mas também como busca de melhores condições de vida para a sociedade. Sendo assim, existem oscilações na globalização em que a correlação de forças entre os interesses em jogo atua como propulsora de lutas locais ou globais. O resultado é o surgimento de uma contradição pouco explícita no cenário político mundial, onde surge uma estrutura organizacional esboçada no interior dessa correlação de forças, dando origem a um Estado Transnacional com poderes para criar leis comuns que legitimem e regulem as relações de expansão comercial. Estas leis, com abrangência internacional traduzida em acordos políticos e econômicos supranacionais, traçam o panorama futuro de uma sociedade empresarial em formação.
O risco que se corre nesse processo é cair numa ordem em que o cidadão se transforma antes de tudo num simples consumidor. A dinâmica organizacional e a gestão das estratégias tornam-se neste caso, decorrentes das oscilações existentes entre a sociedade complexa e a incompatibilidade no controlo imediato das leis de mercado. Dentro dessa lógica, a tendência atual viabiliza-se em termos de mercado global, orientando os países criarem políticas específicas para o setor e abrirem cada vez mais suas fronteiras alfandegárias, permitindo o estabelecimento de acordos comerciais e por outro lado, gerando uns espaços planos de negociações, que permita melhor discutir a agenda no campo da cooperação em termos de leis de mercado.
O desenvolvimento das leis de mercado decorre da relação direta entre necessidade e desejo da demanda, equacionada pela oferta de bens e serviços que respondam com satisfação e qualidade a procura. Neste sentido é de fundamental importância que:
• As regras do jogo sejam explícitas e definidas preliminarmente entre os países em negociação;
• O estabelecimento de limites na competição, para evitar excessos e iniciativas que inibam a concorrência positiva;
• Criação de instrumentos de controlo do processo de competição monitorando resultados;
• Adoção de critérios e princípios que possam gerar uma ética de cooperação no mercado;
O mercado é resultado de uma relação entre indivíduos constituídos em grupos sociais afins e que procuram se aproximar de seus desejos, a partir da conquista de condições concretas de realização das necessidades básicas da vida e não enquanto abordagem linear, em que acabamos por reduzir a capacidade humana de criar e gerir sua própria história.
Quando nos referimos às necessidades fundamentais entramos no campo da cidadania e na dimensão participativa dos direitos humanos. Neste caso, antes de sermos consumidores somos cidadãos. Sendo assim, há uma inversão cultural perigosa na dinâmica do mercado e em suas estratégias e tácticas de gestão organizacional.
A condição humana consequente e ao mesmo tempo imprevisível em seus resultados, se distancia de qualquer estratégia ou tática linear presente no controlo dos processos mercantis, relacionados aos desejos e necessidades individuais.
Portanto a sociedade se constitui enquanto tal, a partir de condições concretas que levam os indivíduos a se reunirem em grupos afins e estruturarem normas e regras de convivência pacífica, no sentido de materializarem determinados objetivos comuns. A materialização destes objetivos comuns é que vai caracterizar a existência das organizações e, dependendo da complexidade que atinge, desdobra-se no processo de institucionalização. Sendo assim, o mercado funciona conforme as múltiplas condições de existência da sociedade e sua potencialidade de mudança, o que implica na gestão das incertezas geradas pelo risco e não no controlo absoluto de seus resultados.
Então como poderemos estabelecer um controlo razoável do processo, admitindo que as ações humanas são consequentes e requerem um de planejamento de resultados?
A primeira pista pode estar em perceber que as condições econômicas influenciam de forma bastante intensa os indivíduos em um dado contexto social, não perdendo de vista que entre influenciar e fazer determinações nós encontramos um hiato de proporções consideráveis.
Outra pista interessante é observarmos que a sociedade possui o seu próprio movimento interno e externo que se diferencia na especificidade de cada país. Os grupos institucionais ou não, formam uma força social sem controles imediatos, configurando um macro sistema de informações que somente com o tempo aparecerá em forma de história, dado sua elaboração teórica-prática.
Diríamos que existem aspectos nesta área que estão no plano dos micros grupos e que dificilmente podem ser de percepção imediata, já que se encontram em fragmentos de realidade. No sentido micro temos as organizações e suas estruturas institucionais e no macro, a reorganização geopolítica internacional.
Nessa relação micro-macro que se auto-influencia, deparamo-nos com as dificuldades de gestão para operacionalizar as múltiplas dimensões da mudança e suas variáveis informativas. Temos o seguinte esquema orientador:
◊ CONDIÇÕES ECONÔMICAS
◊ INFLUÊNCIA NO CONTEXTO SOCIAL
◊ SOCIEDADE DIFERENTE EM CADA PAÍS
◊ PROCESSO DIALÉTICO DA MUDANÇA
◊ PEQUENA EMPRESA
◊ GRUPO GESTÃO DE MUDANÇA
◊ GRUPO EMPRESARIAL
◊ CULTURA - INFORMAÇÃO - HISTÓRIA
O processo dialético da mudança é irreversível na construção de uma cultura inovadora na dinâmica histórica. As organizações com fins lucrativos procuram cada vez mais saídas imediatas para a instabilidade estrutural em que se encontram; o resultado é a gestão da crise.
Diante dos contrastes históricos que interferem decisivamente nos modelos de estratégias e táticas organizacionais, os momentos emergentes requer uma gestão além da crise e que possa compreender e organizar as informações e a mudança que tem acontecido nos anos 90, baseando-se na flexibilidade e na criatividade de uma gestão dos riscos.
A gestão dos riscos é a capacidade da organização tomar medidas adequadas de controle da mudança, se antecipando ao próprio problema na tomada de decisões a tempo de evitar um colapso no sistema gestor.
Abaixo alguns pontos importantes que marcam mudanças, alcançando o meio social e econômico, nas estratégias, na estrutura e na gestão de negócios, ou seja:
• A tendência para a reciprocidade como princípio central da integração econômica internacional irreversível;
• As empresas estabelecem alianças estratégicas num processo de integração própria na economia mundial;
• Entra em questão o controle das próprias empresas;
• As mudanças rápidas na política e políticas internacionais, mais do que na economia interna, passam a dominar.
Por muito tempo as estratégias e táticas de gestão organizacional se ampararam na ideia de estabilidade e prosperidade. Atualmente os empreendimentos entram em crise pela ineficiência no melhor uso das informações enquanto suportes técnicos de gestão, orientando os caminhos da expansão no mercado e da competitividade, tanto no setor de bens quanto de serviços.
O que trazemos para reflexão é: será que em vez das iniciativas organizacionais de prepararem os indivíduos (que se encontram desempregados) para obterem emprego não seriam mais bem aproveitadas. Não seria melhor pensar em alternativas eficazes de valorizar o próprio subemprego juntamente com a discussão de pleno emprego?
No momento se procuram referências que consigam lidar qualitativamente com a mudança e com as incertezas, implicando no preparo de competências e na construção de núcleos geradores de informações. Sobre esta questão verificamos em nossa pesquisa que as “atenções quanto à mudança se voltam para a valorização do capital humano, induzindo o investimento em desenvolvimento e o máximo aproveitamento do potencial cognitivo e afetivo, através da implantação de processos de capacitação continuada e maximizando os ganhos de conhecimento e criatividade da organização”.
Nesta perspectiva é preciso que as organizações e o surgimento de novos negócios possam inserir em suas estratégias de gestão, os seguintes aspectos:
• Clareza na estruturação da missão ou atualização desta;
• Desenvolvimento da autonomia, cooperação e potencial criativo do fator humano;
• Implantação de estratégias e táticas de gestão associadas aos propósitos do negócio e sua política de expansão;
• Incorporação das incertezas como instrumento numa cultura organizacional em formação;
• Inclusão da participação no poder decisório e da flexibilidade nos canais de comunicação internos e externos da organização;
• Incentivo ao capital relacional tendo como referência a aprendizagem.
O reflexo do movimento universal de mudança sugere uma revisão crítica nas relações de produção e consumo, em que as organizações empreendedoras existam enquanto estruturas e, no interior das quais, as pessoas se relacionem em colaboração para criar e produzir um bem ou serviço, garantindo a qualidade de vida e que todos possam lucrar.
A criação e a gestão de negócios é forçada pela mudança a ter como base a consciência de que o ser humano apreende e traz consigo a quantidade e qualidade de recursos que necessita para seu desenvolvimento pessoal e coletivo.
O empresário é chamado para assumir o lugar de empreendedor global, em que suas habilidades estejam direcionadas para a gestão dos riscos consequentes e singulares da mudança e que o enfoque seja a criação de instrumentos e recursos ligados a capacidade imaginativa do indivíduo.
Este empresário é alguém que identifica uma oportunidade de lucro no mercado das necessidades humanas e decide investir financeiramente na produção de bens ou serviços, com o objetivo de ampliar seu capital de investimento cada vez mais, tornando-se proprietário ou acionista de um negócio.
Qualquer empreendimento que se pretenda permanecer ou entrar nos negócios, sugere-se incluir no corpo filosófico de sua proposta as estratégias da gestão dos riscos, uma vez que o futuro é incerto e instável, articulada com a gestão de mudança, considerando a expansão organizacional e tendo como fundamento os princípios que caracterizamos para a moderna gestão de negócios:
• Potencialização e recursos organizacionais;
• Interdependência entre o sistema e seu ambiente mais amplo;
• Expectativa de incerteza e de imprevisibilidade;
• Empreendedor visto como líder orientador da mudança;
• Flexibilidade no processo;
• Mudança em equipe;
• Desenvolvimento do talento e potencial humano;
• Estímulo às habilidades criativas;
• Método holístico e generalista;
• Visão sistêmica e globalizada;
• Delegação democrática do poder;
• Divulgação transparente das informações;
• Gestão de risco de medidas adequadas;
• Estrutura organizacional que permite adaptações;
• Os resultados são compartilhados e as questões resolvidas;
• As diferenças são explicitadas e existe a convergência na solução de conflitos;
• Ambiente de aprendizagem e cultura de colaboração;
• Valorização do usuário interno/externo como cidadão;
• Relação de ganho entre os colaboradores.
Na gestão moderna o empreendedor identifica um potencial demanda, através de necessidades emergentes, transforma estrategicamente em oportunidade de negócio, criando como suporte um projeto inovador de gestão organizacional, para orientar a satisfação de desejos dos clientes e criar condições de expansão.
Para que isso aconteça, o empreendedor precisa rever as suas abordagens sobre a realidade e encontrar o ponto de equilíbrio entre as diferentes e diversificadas informações, incluindo neste caso, a mentalidade flexível e criativa, para acompanhar os níveis de complexidade da liderança e da tendência evolutiva de longo prazo.
Podemos resumir três componentes que indicam com alguma clareza os horizontes que o empreendedor deve seguir daqui por diante, considerando determinados aspectos que levantamos na sequência:
• Crescente conscientização e domínio da vida, praticados através de uma postura científica de investigação aberta, de aplicação da tecnologia para melhorar a qualidade de vida, e de busca livre de crenças e valores adequados para servirem como eixo de orientação;
• Liberação, exemplificada em liberdade pessoal e de ideais políticos, dentro de uma ordem legítima, num ideal econômico de iniciativa privada, e no ideal cultural da individuação;
• Democratização, exemplificada pelos ideais sociais de educação gratuita e divulgação popular do conhecimento científico, pelo ideal econômico da igual oportunidade e pelo ideal político da democracia participativa.
Diante dessas exigências globais de um novo paradigma nos negócios é que a atividade empreendedora está localizada. Por outro lado, entendemos que o desafio emergente está na elaboração de um inovador conceito de lucro e de relação com o cliente/ consumidor, tendo como base a transformação das matrizes de investimento e a imprescindível expansão organizacional.
Complementando este raciocínio, teríamos tanto os negócios como os empreendedores passando por uma evolução nos seus princípios de organização e no nível de percepção, conforme o quadro que adaptamos a baixo:
O modo de percepção é como o empreendedor se relaciona com o mundo e seu próprio negócio, o que implica dizer, no estabelecimento de vínculos sociais e na orientação implementada nas tarefas.
Na percepção temos um olhar de dentro e um de fora que se convergem para formar um comportamento reativo ou proativo quanto ao posicionamento no contexto. Assim, consideramos três pontos fundamentais que o empreendedor moderno pode observar com certo cuidado, quanto a sua postura diante de um negócio:
• 1. Os procedimentos operacionais quanto a eficácia e eficiência, que possam levar a efetividade da qualidade dos serviços ou bens disponibilizados nos negócios;
• 2. A política de desenvolvimento do fator humano em termos de preparar os colaboradores com recursos potenciais individuais e com habilidades técnicas e políticas para que possam colaborar e participar efetivamente no poder decisório do empreendimento;
• 3. O diferencial de atendimento ao cliente baseado no pressuposto intercultural, politemático e comportamental, estabelecendo um processo de qualidade na descoberta da “arte de servir ao próximo”, enquanto outro, diferente e nunca semelhante.
Estes pontos orientam a postura a partir da travessia no modo de percepção do negócio. Exige do empreendedor a sensibilidade para se guiar entre as percepções que melhor atendam ao contexto, considerando a inexistência de uma percepção pura do mundo. É mais indicado ficar atento para a representação do fato que este empreendedor tem de seu negócio. Para isso, as estratégias de ação do empreendedor devem incorporar alguns critérios que melhor formalize seu posicionamento diante da intervenção e do eficiente trato das informações pertinentes, isto é:
• 1. Procura colocar-se no meio do problema para identificar a dimensão da crise ou gerador desta;
• 2. Desenvolve a arte de cultivar a paciência, disciplinando a calma e a tranquilidade diante da tomada de decisão, seja ela de criação ou gestão organizacional;
• 3. Sistematiza uma observação criteriosa e atenta do processo gestor e da avaliação de resultados na organização;
• 4. Mantém os recursos disponíveis para usá-los com eficácia na ocasião de menor resistência às propostas de inovação organizacional;
• 5. Permite que os colaboradores apresentem seus pontos de vistas na sua amplitude da proposta, como forma de reordenar melhor seu pensamento e fortalecer o argumento gestor;
• 6. Identifica a diferença entre os momentos da cooperação e da competição, como forma de estabelecer o discernimento do processo de decisão e liderar o projeto organizacional.
Partindo destes princípios estratégicos de intervenção, o empreendedor pode ser entendido como “o gestor que conhecendo todos os componentes do sistema em que está envolvido, consegue suprir os limites do seu próprio sistema”.
Outro aspecto que complementa este conceito é que o gestor tem a capacidade de lidar com altos níveis de complexidade, a partir de conhecimentos, hábitos e atitudes, se caracterizando como otimizador dos recursos gestores em tempo e espaço necessários.
O empreendedor emerge no interior do contexto de mudança, articulando competências, liderando sonhos e criando oportunidades de negócios identificadas no mercado. Para que isso ocorra, a percepção em torno do problema imediato a ação do empreendimento, deverá conjugar as representações dos fatos extraídos do mercado, considerando a expressão cultural, a entrevisão pluralista e a visão holística nos negócios.
Na criação de oportunidade é fundamental que o empreendedor esteja atento a decodificação dos dados informativos disponíveis, observando criteriosamente o potencial emergente e montando todo um sistema acessível de informações, articulando-as com o todo de seu projeto de investimento.
■ IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES E ESCOLHA DE MERCADO
A dinâmica associativa destes componentes permite localizar com maior amplitude o centro de equilíbrio de um problema, enquanto percepção apreendida do fato em si, a partir da transformação da queixa em demanda organizacional.
Diante disso, propomos objetivamente como uma das estratégias de ação para qualquer gestão empreendedora, independente de estar iniciando ou não, a realização da atividade de investigação de potencial, capaz de indicar os rumos da mudança e as possibilidades do empreendimento.
Os negócios são exigidos na absorção de uma mentalidade em que o maior acúmulo de informações sobre o investimento, representa maior competitividade e participação no mercado. Esse conhecimento empreendedor permite a melhor localização do negócio no contexto mercadológico, além de possibilitar a identificação dos potenciais e recursos fundamentais na gestão do processo de mudança.
O empreendedor, enquanto gestor, para tomar uma decisão satisfatória na gestão dos riscos, precisa de um número seguro de informações a respeito daquilo que solicita o decidir, uma vez que assumirá responsabilidades perante o processo. A informação neste caso, requer certa habilidade em seu discernimento e análise, no sentido de compor o argumento propício para o problema singular em que o empreendedor se encontra.
Ressaltamos ainda que a tomada de decisão requer procedimentos e medidas rápidas, entretanto, sem precipitação. Aliás, “quando você não está certo de que pode tomar uma decisão e, principalmente, de que ela possa ser mantida, o mais indicado é não tomá-la”.
A investigação num empreendimento é direcionada para solucionar um problema prático específico ou descrever um fenômeno com o máximo de clareza. Trata-se de um passo aproximativo em relação ao descerramento da realidade específica do negócio.
Caracterizando a origem de um problema e sua decodificação na rotina da gestão, “o problema aparece na medida em que não existe uma fórmula perfeita para poupar trabalho ou abreviar procedimentos”; sendo assim, a análise do problema se torna o passo inicial para a tomada de decisão e onde a informação técnica é imprescindível.
A atividade de investigação nos negócios implica em primeiro lugar, na identificação e análise do problema, através do estudo estratégico seguido da produção de efeitos qualitativos na tomada de decisão. Neste aspecto, o técnico ocupa um papel de direção pedagógica das informações no sentido da otimização do processo.
A investigação do potencial empreendedor por si só já se constitui numa decisão importante, uma vez que a partir dela será desencadeado um quadro de múltiplas possibilidades para o imediato e consequentemente, para decisões futuras. Na sua aplicação o empreendedor catalisa a revitalização dos negócios e implementa a abertura de novas frentes, em que a diversidade e a flexibilidade tornam-se o canal de maior ênfase.
O empreendedor se reporta como protagonista de seu próprio negócio quando a investigação é incorporada no processo de decisão. O sistema de informações obtidas com a coleta de dados, subsidia as prioridades no negócio e fornece os recursos necessários para o acompanhamento e desenvolvimento do empreendimento. O que temos é a expansão constante dos negócios.
A investigação do potencial nos negócios tem sido cada vez mais disponibilizada enquanto estratégia na gestão do risco e da mudança. Cabe ao empreendedor com visão futura, implementar o seu uso enquanto principal agente motivador na decisão em torno de um investimento que implique em maior segurança. Para qualificar ainda mais a investigação, basta associar com o planejamento de estratégias e suas implicações nos negócios.
Em linhas gerais este plano de ação serve de referência à realização do estudo de potencial e consequente sistemas informativos, partindo das seguintes indagações complementares quanto o empreendimento:
• 1. Mapeamento do problema (o que é?);
• 2. Caracterização dos recursos existentes (o que se possui?);
• 3. Identificação do potencial humano disponível (com quem posso contar?);
• 4. Definição dos limites de investimento (quanto possuo?);
• 5. Estabelecimento de responsabilidades (qual a capacidade de resposta?);
• 6. Qualificação dos objetivos (qual a resposta procurada?);
• 7. Justificativa do empreendimento (porquê?);
• 8. Fatores externos presentes (o que será atingido?);
• 9. Estabelecimento de prazos (qual o tempo disponível?);
• 10. Organização dos instrumentos e técnicas (o que é preciso?);
• 11. Percurso operacional (como?);
• 12. Análise de resultados (qual a solução encontrada?);
• 13. Orientação de procedimentos futuros (o que será feito com a informação?).
■ Desenvolva seu perfil empreendedor
Para isso, o primeiro passo é conhecer suas habilidades e características comportamentais empreendedoras.
As habilidades requeridas de um empreendedor podem ser classificadas em três áreas: Técnicas, Gerenciais e Características pessoais.
» As habilidades técnicas envolvem saber escrever, saber ouvir as pessoas e captar informações, ser um bom orador, ser organizado, saber liderar e trabalhar em equipe e possuir know-how técnico na sua área de atuação.
» As habilidades gerenciais incluem as áreas envolvidas na criação, desenvolvimento e gerenciamento de uma nova empresa: marketing, administração, finanças, operacional, produção, tomada de decisão, controle das ações da empresa e ser um bom negociador.
» Algumas características pessoais incluem: ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ser orientado a mudanças, ser persistente e ser um líder visionário.
A investigação de potencial nos negócios, como alimentador do sistema informativo é um dos recursos que o empreendedor dispõe entre os instrumentos de intervenção na gestão dos riscos. É importante que seja procedida as adaptações particulares ao contexto, além da convicção quando esta é necessária e quando o técnico se transforma em cúmplice numa gestão de mudanças e ampliação do conhecimento estratégico e tático para o sucesso no empreendimento.
A informação operada na entrevisão técnica é peculiar ao negócio e a cada direção estratégica e tática escolhida pelo empreendedor. Para melhor evidenciar o que estamos apresentando, identificamos alguns indicadores como imprescindíveis numa intervenção, conforme o esquema a baixo:
◊ CRIAÇÃO ORGANIZACIONAL
◊ SISTEMA TÉCNICO E SISTEMA OPERACIONAL
◊ GESTÃO DIRETA
Na criação organizacional o técnico parte do entendimento de que o negócio é decorrente de uma ideia empreendedora, a partir da identificação de oportunidades no mercado. Neste sentido, a criação do empreendimento requer procedimentos e decisões que refletirão em toda trajetória de implantação do projeto gestor.
O técnico enquanto articulador de informações direcionadas e otimizadoras de recursos, auxiliam o empreendedor no processo criador do negócio, posicionando questionamentos básicos de análise, que servem como parâmetros importantes na tomada de decisão quanto ao empreendimento:
• 1. Qual a oportunidade de negócio identificada no mercado?
• 2. Quais as necessidades existentes que precisam ser atendidas para implementarem a oportunidade de negócio identificada?
• 3. Qual a experiência anterior e atual do empreendedor no ramo de negócio identificado?
• 4. Qual a relação entre o prazer pessoal e profissional do empreendedor no ramo do negócio?
• 5. Quais as características sazonais do empreendimento (aspectos físicos, jurídicos e de contabilidade?)
• 6. Qual a natureza do produto ou serviço ofertado no negócio?
• 7. Quais os possíveis fornecedores diretos e indiretos no negócio?
• 8. Quais os concorrentes diretos e indiretos ao empreendimento?
• 9. Qual o custo do projeto de empreendimento e o recurso financeiro existente e disponibilizado para o negócio?
• 10. Qual o perfil da demanda/cliente do negócio?
• 11. Qual o diferencial do negócio?
• 12. Qual o recurso potencial existente para implantar o negócio?
• 13. Quantos colaboradores diretos e indiretos são necessários e se encontram disponíveis em curto prazo para implantar o negócio?
• 14. Qual o potencial de crescimento atual e futuro do negócio?
• 15. Qual será a imagem do empreendimento no mercado?
O apoio técnico incidirá na exposição destes indicadores, procurando manter um distanciamento seguro no sentido de não se confundir com o empreendedor, o que pode ser conseguido através de uma postura mais próxima da consultoria técnica, contribuindo para ampliar a visão empreendedora do negócio, no sentido de evitar a precipitação por um caminho de maior risco organizacional.
Quanto ao apoio na gestão, o técnico responde por um processo operacional atuando diretamente com o empreendedor, através de uma intervenção participativa.
A gestão é decorrente da experiência de criar estratégias e táticas de intervenção. O técnico exerce um papel de liderança junto com o empreendedor no projeto do negócio, influenciando positivamente na tomada de decisão.
O perigo neste tipo de apoio isolado é o técnico personificar o projeto do negócio e reforçar uma postura dependente por parte do empreendedor na gestão dos riscos.
Como forma de driblar a personificação do projeto, o mais indicado é participar da gestão a partir de uma liderança negociadora com o empreendedor, fortalecendo o campo da autonomia e do potencial de aprendizagem organizacional, considerando as seguintes questões para reflexão:
• 1. Qual a missão organizacional?
• 2. Quais os propósitos imediatos que fundamentam as estratégias de gestão organizacional?
• 3. Quais os objetivos do negócio a curto, médio e longos prazos?
• 4. Quais as estratégias de implantação do negócio?
• 5. Quais as estratégias de lançamento do produto ou serviço no mercado?
• 6. Quais as estratégias de seleção e desenvolvimento do fator humano que atuará como colaborador direto ou indireto no negócio?
• 7. Quais as estratégias de acompanhamento do empreendimento em termos de retorno do investimento?
• 8. Qual o programa de implantação e implementação do negócio e os prazos existentes no projeto de captação de recursos financeiros e materiais ?
Quanto a entrevisão no sistema operacional e de planejamento, julgamos importantes esclarecer que este conceito de entrevisão é oriundo da relação humana entre os saberes estabelecidos. As pessoas envolvidas no processo de aprendizagem possuem conhecimentos específicos e gerais que se manifestam diante da necessidade de encontrar uma solução para determinado tipo de problema e avaliar os resultados.
Sendo assim, o conjunto de experiências individuais é mediado pelo contexto organizacional e mobilizadas numa visão de dupla via sobre o problema, possibilitando a descoberta de uma solução inovadora. O apoio técnico junto aos sistemas operacionais e de planejamento, acontece na dualidade reflexiva e catalisadora em termos da construção de um banco de informações atualizadas e estratégicas para a tomada de decisão.
No aspecto do planejamento facilita a tomada de decisão, contribuindo na elaboração do plano estratégico do negócio, através de suas respectivas fases de investigação no empreendimento, visualizadas nos esquemas anteriores - o problema, o plano de ação, a tomada de decisão, o estudo estratégico e o projeto de intervenção. O sistema de informação técnica é valorizado quando consegue contribuir com o empreendedor, promovendo a transversalidade entre a gestão direta e a criação organizacional, além de estabelecer o espaço da entrevisão.
A entrevisão é deste modo o objetivo do técnico que apóia o empreendedor. A cada instante a intervenção acontece por via tangencial, sem trazer para si a liderança do negócio. Esta cabe ao empreendedor que na crise de decisão sobre o processo, recorre ao técnico para que este lhe apresente uma saída inovadora. O técnico se transforma em interlocutor no negócio, responsabilizando-se pelo vínculo didático com o empreendedor e pelo suporte operacional no planejamento e controlo dos riscos na gestão de mudança organizacional.
Por outro lado, o aperfeiçoamento constante do sistema de informações no empreendimento, através da estratégia de investigação de potencial, tem propiciado um considerável aumento de competitividade nas organizações empresarias, dado o resultado qualitativo percebido de imediato na apresentação final do produto ou bem, assim como, tem produzido uma criativa reformulação no diferencial do atendimento das necessidades e desejos do cliente.
A investigação de potencial e o sistema de informação no negócio se tornam os braços da intervenção técnica junto ao empreendedor, compondo um conjunto de instrumentos inseparáveis e que seguem um referencial metodológico sustentado pela própria operacionalidade do negócio e implementação do projeto de gestão organizacional. [Topo].