Dúvidas Português

"Sem o domínio perfeito da língua materna é impossível o rigor na comunicação, na expressão oral e escrita. Muitas vezes, no ensino superior e na vida profissional, parte substancial dos problemas reside na deficiente compreensão de um texto. Um mau domínio da língua materna corresponde hoje a uma disfunção intelectual".

 

Algumas Regrinhas

Porque, por que, porquê ou por quê

a) PORQUE é conjunção causal ou explicativa:

    "Ele viajou porque foi chamado para assinar contrato."
    "Ele não foi porque estava doente."
Abra a janela porque o calor está insuportável."
    "Ele deve estar em casa porque a luz está acesa."

b) PORQUÊ é a forma substantivada (= antecedida de artigo "o" ou "um"):

    "Quero saber o porquê da sua decisão."
    "A professora quer um porquê para tudo isso."

c) POR QUÊ = só no fim de frase:

    "Parou por quê?"
    "Ele não viajou por quê?"
    "Se ele mentiu, eu queria saber por quê."
    "Eu não sei por quê, mas a verdade é que eles se separaram."

d) POR QUE

    1. em frases interrogativas diretas ou indiretas:

    "Por que você não não foi?" (= pergunta direta)
    "Gostaria de saber por que você não foi." (= pergunta indreta)

    2. quando for substituível por POR QUAL, PELO QUAL, PELA QUAL, PELOS QUAIS, PELAS QUAIS:

    "Só eu sei as esquinas por que passei." (= pelas quais)
    "É um drama por que muitos estão passando." (= pelas quais)
    "Desconto as razões por que ela não veio." (= pelas quais)

    3. quando houver a palavra MOTIVO antes, depois ou sobentendida:

    "Desconheço os motivos por que a viagem foi adiada." (= pelos quais)
    "Não sei por que motivo ele não veio." (= por qual)
    "Não sei por que ele não veio." (= por que motivo - por qual motivo).

Existem quatro formas de porquês:

Porque existem diferenças de sentido entre eles. Atualmente, são quatro as formas utilizadas. Por que é uma preposição somada a um pronome relativo, usado em construções interrogativas ("Por que você fez isso?") e em não interrogativas ("É ruim o caminho por que passou"). Por quê é empregado no fim de frases, sejam elas interrogativas ("Você não vai ao baile por quê?") ou não ("A menina foi embora sem dizer por quê"). Porque é uma conjunção causal ou explicativa ("Não vou porque não quero"). E porquê é um substantivo ("Quero saber o porquê"). Essa varidade teve origem no século 12, com a gramaticalização, processo natural e contínuo das línguas. A conjunção causal porque se origiou da construção por que e houve a junção da preposição por com o pronome relativo que. Já no século 13 ocorreu a aglutinação desses elementos (preposição e pronome relativo, usados em expressões indicativas de causa). Como não havia ortografia oficializada, ambas permaneceram em voga: em uma palavra só (porque) e em duas palavras (por que). Após a criação do Formulário Ortográfico e do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em 1943, recomendou-se o uso de por que e de por quê (equivalentes a por qual razão e por qual motivo, respectivamente), sendo o acento circunflexo usado quando o que é a sílaba tônica.

ESTE ou ESSE

    1. "ESTE ou ESSE relatório que está aqui na minha mesa?"

O certo é:

"ESTE relatório que está aqui na minha mesa." (= o relatório está aqui, perto do emissor)

Os pronomes ESTE (S), ESTA (S) e ISTO indicam o que está próximo do EU (= emissor, remetente, quem fala ou escreve);
Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO indicam o que está próximo do TU ou VOCÊ (= receptor, destinatário, quem ouve ou lê).

"ESTE departamento é o meu."/"ESSE departamento é o seu."
"ESTA empresa é a nossa."/"ESSA empresa é a do cliente."
"Eu vivo NESTA cidade."/"Você vive NESSA cidade aí."
"Não repita mais ISTO." (= que eu disse)/"Não repita mais ISSO." (= que você disse)

Obs:

Os pronomes AQUELE (S), AQUELA (S) e AQUILO indicam o que está distante:

"Aquele departamento está nos prejudicando."
"Aquilo lá é indesejável."
"Não voltaremos mais ÀQUELA cidade."

    2. "Chegou NESTE ou NESSE exato momento?"

O certo é:

Chegou NESTE exato momento." (= agora)

Os pronomes ESTE (S) e ESTA (S) indicam tempo PRESENTE.

"Entregará o projeto ainda ESTE mês." (ESTE mês = mês em que estamos)
"Resolverá tudo até o fim DESTA semana." (ESTA semana = semana em que estamos)

Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO se referem a alguma coisa já citada.

"Airton liderava a prova até a quinta volta. NESSE momento a chuva aumentou. ISSO causou um grava acidente, e a corrida foi interrompida." (NESSE momento não é agora, é a quinta volta; ISSO se refere ao fato de a chuva ter aumentado).

"Nossa empresa precisa de Qualidade Total. ESSE projeto já está sendo implantado." (ESSE projeto = Qualidade Total).

"Os atacantes estavam muito nervosos, mas foram ESSES jogadores que nos deram a vitória." (ESSE jogadores = os atacantes).

ONDE ou AONDE?

"Esta é a rua ONDE ou AONDE fica o nosso depósito?"

O certo é:

"Esta é a rua ONDE fica o nosso depósito."

ONDE significa "no lugar" (= o depósito fica NA RUA).

AONDE significa "ao lugar". Só pode ser usado com verbos cuja regência pede a preposição (IR, CHEGAR, DIRIGIR-SE, LEVAR...):

"Esta é a praia AONDE fomos no sábado passado." (= fomos À PRAIA)

"Esta é a cidade AONDE gosto de ir nas férias." (= gosto de ir À CIDADE);

"Este é o estádio AONDE fui ontem." (= fui AO ESTÁDIO);

"Este é o lugar AONDE ele quer chegar." (= ele quer chegar ao LUGAR).

QUE ou COMO?

"Foi o modo QUE ou COMO resolvemos o caso?"

O certo é:

"Foi o modo COMO resolvemos o caso."

O pronome COMO só pode ser usado quando o antecedente dá idéia de "modo" (= modo, maneira, jeito, forma...):

"Esta é a maneira COMO a nossa equipe vai atuar."
"A forma COMO resolverem o problema foi meio violenta."

DESTRATAR ou DISTRATAR?

DESTRATAR significa "tratar mal";
DISTRATAR significa "romper um trato".

BEM-VINDO ou BENVINDO?

a) A saudação é BEM-VINDO (= bem recebido):

"Seja bem-vindo."
"Ele será bem-vindo a esta cidade."

d) BENVINDO é nome próprio de pessoa:

"Ele se chama Benvindo."

CRASE

Nunca haverá crase:

:: Antes das palavras masculinas. A exceção é quando fica subentendida a locução "à moda de" ou "à maneira de".

:: Nas locuções com elementos repetidos: cara a cara, frente a frente.

:: Antes de verbos no infinitivo: começou a discusar.

:: Com o "a" no singular antes de feminino plural: reunião a portas fechadas.

Obs:

Para comprovarmos a crase, o melhor "macete" é substituir o substantivo feminino por um masculino. Comprovamos a crase se o A se transformar em AO.

"Ele se referiu à carta" (= ao documento).

"Ele entregou o documento às professoras." (=aos professores).

"Sua camisa é igual à do meu pai." (= seu casaco é igual ao do meu pai).

"Ele fez referência às que saíram." (= aos que saíram).

CASOS ESPECIAIS

Vou a ou à Brasília?
Vou a ou à Bahia?

O certo é:

"Vou a Brasília" e "Vou à Bahia".

Por que só ocorre crase no segundo caso?

Quando vamos sempre vamos a algum lugar. O verbo IR pede a preposição a. O problema é que o nome do lugar aonde vamos às vezes vem antecedido de artigo definido a, às vezes não.

Enquanto Brasília não admite artigo definido, a Bahia é antecedida do artigo definido a. Isso significa que você "VAI À BAHIA" (= preposição a do verbo IR + artigo definido a que antecede a Bahia) e que você "VAI A BRASÍLIA" (= sem crase, porque só há a preposição a do verbo ir).

Se você quer saber com mais rapidez se deve IR À ou A algum lugar (com ou sem o acento da crase), use o seguinte "macete":

Antes de IR, VOLTE.

Se você volta DA, significa que há artigo: você vai À;

Se você volta DE, significa que não há artigo; você vai A.

Exemplos:

"Vocè volta DA Bahia">"Você vai à Bahia."
"Você volta DE Brasília">"Você vai a Brasília."

COLOCAÇÃO DE PRONOMES OBLÍQUOS

Introdução:

Os pronomes oblíquos podem ser: átomos e tônicos.

O pronome oblíquo átono é inacentuado e mais parece uma sílaba do verbo:

- Diga-me o que aconteceu lá.

São pronomes obblíquos átonos:

me - nos
te - vos
o - a - lhe - se
os - as - lhes

O pronome oblíquo tônico é acentuado ou vem regido de preposição:

Esta caneta meu pai trouxe para mim.

O pronome oblíquo átono pode aparecer antes, no meio ou depois do verbo. Quando antes, ocorre a próclise; quando no meio, a mesóclise; quando depois a ênclise.

Próclise

Na próclise o pronome oblíquio átono é chamado de proclítico.

O pronome átono proclítico é empregado nos seguintes casos:

com o verbo precedido de conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome interrogativo, pronome indefinido e advérbio:

Quando me telefonarem, avise-me.
Trata-se de um profissional que se esforça.
Quem me troxe este livro?
Alguém me contou essa piada.
Talvez a encontre ainda hoje.

em orações negativas:

Não me pergunte nada.

em orações optativas e exclamativas:

Oxalá você se porte bem.
Quanta vida se tira por nada!

Mesóclise

Na mesóclise o pronome oblíquo átono é chamado de mesoclítico.

O pronome átono mesoclítico é empregado em verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo, mas quando não houver razões para a próclise:

Realizar-se-á amanhã a cerimônia de posse do novo diretor.

Não fosse a chuva, acompanhar-te-ia até o carro.

Ênclise

Na ênclise o pronome oblíquo átono é chamado de enclítico.

O pronome átono enclítico é empregado nos seguintes casos:

em frase iniciada por verbo. Não se inicia frase com pronome átono:

Encontrei-me com ele ontem.

com verbo no gerúndio:

Chegou alegre, trazendo-lhe flores.

Quando alguma palavra que precede o gerúndio exigir, o pronome átono poderá vir proclítico:

Não se esforçando, você não vencerá.
Em se desculpando, a situação dele ficará melhor.

? com verbo no imperativo afirmativo:

Por gentileza, traga-me um cafezinho.

com verbo no infinitivo:

A sorte é que ele pode amoldar-se à situação. - [Topo]

 


Associação SoftwareLivre

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