"Sem o domínio perfeito da língua materna é impossível o rigor na comunicação, na expressão oral e escrita. Muitas vezes, no ensino superior e na vida profissional, parte substancial dos problemas reside na deficiente compreensão de um texto. Um mau domínio da língua materna corresponde hoje a uma disfunção intelectual".
■ Algumas Regrinhas
Porque, por que, porquê ou por quê
a) PORQUE é conjunção causal ou explicativa:
"Ele viajou porque foi chamado para assinar contrato."
"Ele não foi porque estava doente."
Abra a janela porque o calor está insuportável."
"Ele deve estar em casa porque a luz está acesa."
b) PORQUÊ é a forma substantivada (= antecedida de artigo "o" ou "um"):
"Quero saber o porquê da sua decisão."
"A professora quer um porquê para tudo isso."
c) POR QUÊ = só no fim de frase:
"Parou por quê?"
"Ele não viajou por quê?"
"Se ele mentiu, eu queria saber por quê."
"Eu não sei por quê, mas a verdade é que eles se separaram."
d) POR QUE
1. em frases interrogativas diretas ou indiretas:
"Por que você não não foi?" (= pergunta direta)
"Gostaria de saber por que você não foi." (= pergunta indreta)
2. quando for substituível por POR QUAL, PELO QUAL, PELA QUAL, PELOS QUAIS, PELAS QUAIS:
"Só eu sei as esquinas por que passei." (= pelas quais)
"É um drama por que muitos estão passando." (= pelas quais)
"Desconto as razões por que ela não veio." (= pelas quais)
3. quando houver a palavra MOTIVO antes, depois ou sobentendida:
"Desconheço os motivos por que a viagem foi adiada." (= pelos quais)
"Não sei por que motivo ele não veio." (= por qual)
"Não sei por que ele não veio." (= por que motivo - por qual motivo).
■ Existem quatro formas de porquês:
Porque existem diferenças de sentido entre eles. Atualmente, são quatro as formas utilizadas. Por que é uma preposição somada a um pronome relativo, usado em construções interrogativas ("Por que você fez isso?") e em não interrogativas ("É ruim o caminho por que passou"). Por quê é empregado no fim de frases, sejam elas interrogativas ("Você não vai ao baile por quê?") ou não ("A menina foi embora sem dizer por quê"). Porque é uma conjunção causal ou explicativa ("Não vou porque não quero"). E porquê é um substantivo ("Quero saber o porquê"). Essa varidade teve origem no século 12, com a gramaticalização, processo natural e contínuo das línguas. A conjunção causal porque se origiou da construção por que e houve a junção da preposição por com o pronome relativo que. Já no século 13 ocorreu a aglutinação desses elementos (preposição e pronome relativo, usados em expressões indicativas de causa). Como não havia ortografia oficializada, ambas permaneceram em voga: em uma palavra só (porque) e em duas palavras (por que). Após a criação do Formulário Ortográfico e do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em 1943, recomendou-se o uso de por que e de por quê (equivalentes a por qual razão e por qual motivo, respectivamente), sendo o acento circunflexo usado quando o que é a sílaba tônica.
■ ESTE ou ESSE
1. "ESTE ou ESSE relatório que está aqui na minha mesa?"
O certo é:
"ESTE relatório que está aqui na minha mesa." (= o relatório está aqui, perto do emissor)
Os pronomes ESTE (S), ESTA (S) e ISTO indicam o que está próximo do EU (= emissor, remetente, quem fala ou escreve);
Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO indicam o que está próximo do TU ou VOCÊ (= receptor, destinatário, quem ouve ou lê).
"ESTE departamento é o meu."/"ESSE departamento é o seu."
"ESTA empresa é a nossa."/"ESSA empresa é a do cliente."
"Eu vivo NESTA cidade."/"Você vive NESSA cidade aí."
"Não repita mais ISTO." (= que eu disse)/"Não repita mais ISSO." (= que você disse)
Obs:
Os pronomes AQUELE (S), AQUELA (S) e AQUILO indicam o que está distante:
"Aquele departamento está nos prejudicando."
"Aquilo lá é indesejável."
"Não voltaremos mais ÀQUELA cidade."
2. "Chegou NESTE ou NESSE exato momento?"
O certo é:
Chegou NESTE exato momento." (= agora)
Os pronomes ESTE (S) e ESTA (S) indicam tempo PRESENTE.
"Entregará o projeto ainda ESTE mês." (ESTE mês = mês em que estamos)
"Resolverá tudo até o fim DESTA semana." (ESTA semana = semana em que estamos)
Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO se referem a alguma coisa já citada.
"Airton liderava a prova até a quinta volta. NESSE momento a chuva aumentou. ISSO causou um grava acidente, e a corrida foi interrompida." (NESSE momento não é agora, é a quinta volta; ISSO se refere ao fato de a chuva ter aumentado).
"Nossa empresa precisa de Qualidade Total. ESSE projeto já está sendo implantado." (ESSE projeto = Qualidade Total).
"Os atacantes estavam muito nervosos, mas foram ESSES jogadores que nos deram a vitória." (ESSE jogadores = os atacantes).
■ ONDE ou AONDE?
"Esta é a rua ONDE ou AONDE fica o nosso depósito?"
O certo é:
"Esta é a rua ONDE fica o nosso depósito."
ONDE significa "no lugar" (= o depósito fica NA RUA).
AONDE significa "ao lugar". Só pode ser usado com verbos cuja regência pede a preposição (IR, CHEGAR, DIRIGIR-SE, LEVAR...):
"Esta é a praia AONDE fomos no sábado passado." (= fomos À PRAIA)
"Esta é a cidade AONDE gosto de ir nas férias." (= gosto de ir À CIDADE);
"Este é o estádio AONDE fui ontem." (= fui AO ESTÁDIO);
"Este é o lugar AONDE ele quer chegar." (= ele quer chegar ao LUGAR).
■ QUE ou COMO?
"Foi o modo QUE ou COMO resolvemos o caso?"
O certo é:
"Foi o modo COMO resolvemos o caso."
O pronome COMO só pode ser usado quando o antecedente dá idéia de "modo" (= modo, maneira, jeito, forma...):
"Esta é a maneira COMO a nossa equipe vai atuar."
"A forma COMO resolverem o problema foi meio violenta."
■ DESTRATAR ou DISTRATAR?
DESTRATAR significa "tratar mal";
DISTRATAR significa "romper um trato".
■ BEM-VINDO ou BENVINDO?
a) A saudação é BEM-VINDO (= bem recebido):
"Seja bem-vindo."
"Ele será bem-vindo a esta cidade."
d) BENVINDO é nome próprio de pessoa:
"Ele se chama Benvindo."
■ CRASE
Nunca haverá crase:
:: Antes das palavras masculinas. A exceção é quando fica subentendida a locução "à moda de" ou "à maneira de".
:: Nas locuções com elementos repetidos: cara a cara, frente a frente.
:: Antes de verbos no infinitivo: começou a discusar.
:: Com o "a" no singular antes de feminino plural: reunião a portas fechadas.
Obs:
Para comprovarmos a crase, o melhor "macete" é substituir o substantivo feminino por um masculino. Comprovamos a crase se o A se transformar em AO.
"Ele se referiu à carta" (= ao documento).
"Ele entregou o documento às professoras." (=aos professores).
"Sua camisa é igual à do meu pai." (= seu casaco é igual ao do meu pai).
"Ele fez referência às que saíram." (= aos que saíram).
■ CASOS ESPECIAIS
Vou a ou à Brasília?
Vou a ou à Bahia?
O certo é:
"Vou a Brasília" e "Vou à Bahia".
■ Por que só ocorre crase no segundo caso?
Quando vamos sempre vamos a algum lugar. O verbo IR pede a preposição a. O problema é que o nome do lugar aonde vamos às vezes vem antecedido de artigo definido a, às vezes não.
Enquanto Brasília não admite artigo definido, a Bahia é antecedida do artigo definido a. Isso significa que você "VAI À BAHIA" (= preposição a do verbo IR + artigo definido a que antecede a Bahia) e que você "VAI A BRASÍLIA" (= sem crase, porque só há a preposição a do verbo ir).
Se você quer saber com mais rapidez se deve IR À ou A algum lugar (com ou sem o acento da crase), use o seguinte "macete":
Antes de IR, VOLTE.
Se você volta DA, significa que há artigo: você vai À;
Se você volta DE, significa que não há artigo; você vai A.
Exemplos:
"Vocè volta DA Bahia">"Você vai à Bahia."
"Você volta DE Brasília">"Você vai a Brasília."
■ COLOCAÇÃO DE PRONOMES OBLÍQUOS
Introdução:
Os pronomes oblíquos podem ser: átomos e tônicos.
O pronome oblíquo átono é inacentuado e mais parece uma sílaba do verbo:
- Diga-me o que aconteceu lá.
São pronomes obblíquos átonos:
me - nos
te - vos
o - a - lhe - se
os - as - lhes
O pronome oblíquo tônico é acentuado ou vem regido de preposição:
Esta caneta meu pai trouxe para mim.
O pronome oblíquo átono pode aparecer antes, no meio ou depois do verbo. Quando antes, ocorre a próclise; quando no meio, a mesóclise; quando depois a ênclise.
■ Próclise
Na próclise o pronome oblíquio átono é chamado de proclítico.
O pronome átono proclítico é empregado nos seguintes casos:
com o verbo precedido de conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome interrogativo, pronome indefinido e advérbio:
Quando me telefonarem, avise-me.
Trata-se de um profissional que se esforça.
Quem me troxe este livro?
Alguém me contou essa piada.
Talvez a encontre ainda hoje.
■ em orações negativas:
Não me pergunte nada.
em orações optativas e exclamativas:
Oxalá você se porte bem.
Quanta vida se tira por nada!
■ Mesóclise
Na mesóclise o pronome oblíquo átono é chamado de mesoclítico.
O pronome átono mesoclítico é empregado em verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo, mas quando não houver razões para a próclise:
Realizar-se-á amanhã a cerimônia de posse do novo diretor.
Não fosse a chuva, acompanhar-te-ia até o carro.
■ Ênclise
Na ênclise o pronome oblíquo átono é chamado de enclítico.
O pronome átono enclítico é empregado nos seguintes casos:
em frase iniciada por verbo. Não se inicia frase com pronome átono:
Encontrei-me com ele ontem.
■ com verbo no gerúndio:
Chegou alegre, trazendo-lhe flores.
Quando alguma palavra que precede o gerúndio exigir, o pronome átono poderá vir proclítico:
Não se esforçando, você não vencerá.
Em se desculpando, a situação dele ficará melhor.
? com verbo no imperativo afirmativo:
Por gentileza, traga-me um cafezinho.
■ com verbo no infinitivo:
A sorte é que ele pode amoldar-se à situação. - [Topo]